procastinador

your-garotanicotina:

Esses dias tive um sonho, na verdade, um pesadelo.
Por dias caminhava nesta estrada, Sol a pino, os passos largos
não importa por onde eu olhava: milhões caminhavam ao meu lado.
Perdida: eu não sabia onde estava;
eu gritava por ajuda, respostas, orientação e ninguém realmente olhava,
prestava atenção ou parava e os milhões marchavam, sem falar nada,
de repente, me vi parada!
Minhas pernas congelaram ou grudaram no asfalto (ou era terra?)
não importava,
eu estava imóvel, catatônica,
tentando tatear alguém e tentar sair da terrível inércia.
Tenebrosamente, todos me olharam!
Bilhões de rostos sem rostos dirigindo seus olhos para mim de todos os lados
e seus olhares brilhavam: lá jazia a decepção, lá jazia a perplexidade
indignação, asco, surpresa, curiosidade, mas ninguém me deu as mãos.
Ao meu lado, um velho amigo passou e me perguntou por que eu apenas não seguia?
“- michele, você não vai seguir a multidão? Todo mundo já vai indo…”
“- você não quer me dar as mãos? Meu pé está preso,
meu pé está colado, criando raízes no solo da vida e eu não consigo avançar”,
meus olhos lacrimejavam quando eu revelei que ficar parada também cansava:
minhas pernas doíam, meus pés ardiam
e eu me senti envergonhada.
Desejei: eu quero dar um passo!
Mas como se fosse concreto ou feito de aço,
como se fosse duas pedras ou um terrível fardo,
meus pés pesavam mais que eu mesma, e as pernas não aguentavam
e todos que passavam por mim me encaravam:
quem vem para essa estrada para ficar parada?
Seria ela burra? Ou seria preguiça?
Talvez mal caráter? Ou apenas suicida…
Uma hora vai ser pisoteada…
Acontece muito na estrada da vida…
Eu gritava para que alguém me puxasse
e então minha família, finalmente me alcançou!
Minha mãe aos prantos me implorava para ir com ela
ela me amava, e chorava, ela me agarrava e me beijava,
mas eu permanecia no mesmo lugar,
como se raízes fossem crescer de minhas solas
como se com a luz do sol eu fosse brotar, mas me brotavam eram lágrimas
e o desespero florescia, se até minha mãe seguia,
com o olhar triste direcionado para trás.
Um antigo amante se trombou comigo, ficou o suficiente para beijar os lábios,
depois me deu um abraço, mas quando previu meu pedido, apertou o passo…
não olhou para trás.
os dias seguiam e eu parada, criando vínculos com a terra
vivendo meu calvário particular:
Jesus andou com a cruz nas costas,
já eu não saio do lugar.
E toda a gente me encarava, uma amiga ficou com raiva
quando eu disse que não podia avançar.

Eu implorei que fosse um pesadelo:
eu quero acordar, preciso acordar!
Pede, reza, implora, suplica, implica e chora, depois ora, e se revolta:
ninguém vai escutar.

Mas uma mulher finalmente parou
e me encarou por longas horas, tão parada quanto eu estava
abriu a boca de supetão
sem nem avisar do golpe que desferiria, ou da rasteira que daria
perguntou com ousadia:
- você ao menos quer sair do lugar?

Acordei chorosa à noite
nenhum alívio eu senti: minha perna doía.

   Posted on Sunday, 29th July
   Originally by: your-garotanicotina
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