Prometi que diante desse papel eu não iria mentir.
Essas letras não são minhas e esse teclado não me pertence. Este não é o meu lugar. Como um peixe fora d'água eu me afogo em uma dor somente minha, qual aquela não há alguém que compreenderá, tornando a situação inusitada e insuportável.
Extrair aquilo de um lugar onde não deveria habitar.
“Você há de habitar e suportar.”
Insisto como um baterista insiste para entrar no ritmo da banda. Repito, como uma criança que repete pela mãe quando ela o deixa na porta da escola e se vai. Ela não está. Assim convença a mim, tudo está no perfeito estado que deve.
Tão oportunista e nada acolhedor. Vira-se. Faça o que quiser e não faça nada que queira. Perca seu tempo vendendo-o para ganhá-lo. Tempo, que deixei para trás casualmente, como se não doesse, dói. Fratura exposta com alto grau de sangramento qual eu não posso estancar. Por mais que eu tente a pressão sobre ela só faz o sangue escorrer para os lados.
Foi só um ralado, me levanto desse tombo como todos os outros, jamais admitirei que existisse.
Cicatriz só me faz lembrar aquilo que eu só desejo esquecer, seria um ultraje apaga-las. São marcas as quais formam as curvas que a estrada da vida me levou e me deixou por lá.
Difícil admitir a ideia de desistir, logo eu dona do meu nariz, da minha raiz, de mim. Admitir que precisasse de mais, de você.
Mereço tudo aquilo que tenho? Sirvo-me de toda a angústia, medo, ansiedade, pois a vingança não é um prato que se come frio, a incompetência é.
Falhei como conseguia. Eu não consigo.
O não, estar onde estou, passar o que passo, sentir o que sinto chorar pelo álcool derramado, rir de tudo, esconder o que dói.
Não chorar. Não ser fraca. Não desistir. Não se permitir.
Lutar contra si mesmo é a batalha mais difícil a se travar. Não há exercito inimigo tão fatal quanto a si mesmo. Saber do que é ou não capaz. A espada só é letal quando se sabe golpear o ponto mais omitido, o fraco. Se defender daquilo que lhe conhece é como ter todos sua ditadura militar derrubada após uma grande revolução em você.
Revolucionar-se mesmo que a pedra em seu caminho seja o iceberg o qual faz seu navio afundar e o gelo esfriar e as coisas morrerem numa noite estrelada com a luz do luar.
Poético, frio. Suas mãos quentes tocando aquilo em mim que denominado atualmente coração. Choque térmico contra maquina da vida, a bomba relógio habitante da caixa torácica, tóxica prestes a explodir, a fluir, a se esvair e então ela para.
Não se há mais nada a dizer.
Prometi que diante desse papel eu não iria mentir.
Baseado em fatos irreais.
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